quarta-feira, 11 de abril de 2012

A Cabeça do Brasileiro


No meu último final de semana, fui até a Argentina de carona fazer algumas compras na fronteira com o Brasil, tudo correu bem, fomos bem atendidos e compramos os produtos que queríamos por um preço bem menor do que nos mercados em território nacional, mas na volta me vi debatendo com um grupo de amigos quem era melhor: Brasil ou a Argentina? Confesso que quando esse assunto vem à tona, o meu sangue brasileiro fala muito mais alto, e de todas as formas possíveis eu defendo o Brasil. Mas quase todos estavam contra os meus argumentos, dizendo que Buenos Aires era muito melhor que Brasília, por exemplo. E que a qualidade do couro argentino era muito melhor. E que por fim, brasileiro passava vergonha na Argentina.

Certa vez na faculdade, comentamos sobre um livro que obteve amplo debate nacional na Revista Veja. O livro explanava como era a cabeça do brasileiro. As críticas eram duras em relação à nossa falta de capacidade. E o autor não deixou barato ao questionar que o famoso “jeitinho brasileiro”, era meramente falta de competência, e que brasileiro não deveria reclamar de políticos, pois no seu dia-a-dia também cometia irregularidades, como furar a fila e comprar produtos piratas. Devido a todas essas críticas, quero colaborar dando o meu parecer sobre a verdadeira cabeça do brasileiro.

Uma escritora holandesa, de passagem pelo Brasil, tentou nos explicar o que acontece em nosso país, por minimizar tanto o nosso potencial. Esse texto deveria ser cabeceira de todo brasileiro que insiste em dizer que somos fracos, somos ignorantes, não soubemos fazer nada direito, e tantos outros adjetivos negativos. A holandesa argumentou que brasileiro acha que todo o mundo presta menos o Brasil. Que é este o nosso maior vício, falar mal daqui, mas que em todos os países existem pontos negativos e positivos, mas a grande diferença é que no exterior eles maximizam os positivos. Enquanto nós maximizamos os negativos, e só sabemos criticar. Ela nos dá exemplos de como o Brasil tem grandes qualidades, como somos educados e higiênicos, que damos como ninguém aula de bons modos a qualquer parisiense ou outro país que se quer tem o hábito de tomar banho diariamente. Que nossas agências de publicidade ganham os maiores e melhores prêmios mundiais. Temos um dos maiores mercados editoriais de livros, e que só estamos crescendo e se desenvolvendo, sendo absoluto mercado para venda de celulares e novas tecnologias. E mais outras 30 curiosidades , que faz qualquer brasileiro erguer a cabeça orgulhoso perante o mundo.

E eu digo mais, o Brasil é rico em natureza, e extensão territorial. O Brasil é absoluto em diversidades e tradições, com diferentes povos, diferentes origens que só nos enriquecem cada dia mais, nos tornando soberanos em cultura. Mas ainda no Brasil, é constante o debate de que não somos capazes nem de receber a Copa do Mundo. Que vamos passar vergonha e tudo mais. Enquanto nós não soubermos nos valorizar, enquanto aqui tudo está errado, e não fazemos nada para melhorar, fica cada vez mais óbvio que vamos passar um grande vexame. Brasileiro tem que parar com essa mania de baixar a cabeça, e colaborar com essa nação que tem tudo pra dar, e já está dando certo. Ou você é ainda um daqueles que só veste a camisa brasileira em Copa do Mundo? A cabeça do brasileiro é exatamente essa, da fronteira pra fora, tudo é melhor, tudo é mais enriquecedor, e tudo é mais produtivo. Então vamos agarrar a idéia, essa idéia de que somos capazes, somos os melhores, não vamos nos acostumar a ouvirmos que precisamos de “um chute no traseiro" , afinal, “Sim, nós podemos”.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Brasil das Leis e do pouco resultado


Em entrevista logo após alguns meses de mandato, o tão contestado deputado Tiririca mostrou pouca animação com a sua atuação no Congresso. “Os parlamentares muitas vezes varam as madrugadas em discussões intermináveis em que ninguém escuta ninguém. Um deputado fala e ninguém presta atenção nele. Outro dia mesmo tinha um fazendo discurso sobre a educação. Outro pediu a palavra. É coisa de louco.” Tiririca também reclamou do trabalho de parlamentar, que segundo ele, não tem muito resultado.

Já tive a oportunidade de escrever sobre os absurdos que alguns parlamentares cometem em fazer discursos inúteis e fora do contexto em algumas Casas Legislativas, gastando um tempo que deveria ser usado para tratar de leis em benefício da nossa população. São tão absurdas, que temos que ouvir monólogos sobre aranhas venenosas e até propaganda de seus próprios meios de comunicação- o que é proibido no Brasil, políticos terem qualquer vínculo com meios de comunicação.

Já paramos para pensar quantas leis existem no Brasil, e quantas dessas são irrelevantes? Já paramos para pensar, o motivo de tanta lei, e onde vamos parar com tudo isso? Só no Brasil existem mais de 181 mil leis em vigor (pela minha pesquisa, a que mais possui leis no mundo), destas muitas são aprovadas em câmaras de vereadores de municípios pequenos, e que não trazem nenhum benefício, e só enchem a lista de leis que jamais serão usadas, de tão irreais, absurdas, e de nenhuma importância.

Alguns dos exemplos a seguir mostram do que estou falando, pois nesse país das leis e do pouco resultado, existe político criando pista de pouso para seres espaciais (ETs), dia do Acarajé, ocupando seu tempo em proibir que São Pedro mande chuva, e mudando nomes de ruas, ao invés de projetos de maior relevância. E eu pergunto: se já não cumprimos as leis que existem nesse país, se os políticos não respeitam a própria constituição, para que tanta lei? Quantas leis são aprovadas por dia? Em números reais, quantas leis vamos deixar aos nossos netos e filhos? Do que eles se beneficiarão com isso? Sem falar no dinheiro público que é gasto com essas discussões inúteis, e da burocracia enorme e interminável para as aprovações de projetos. Até onde vai a criatividade e a necessidade de ainda ter mais leis? Somente na área tributária, possuímos 809 leis, decretos, portarias e resoluções em vigor.

Abro os jornais e vejo que o Brasil ainda precisa avançar em saúde e educação, que ainda existem muitas barreiras a serem quebradas para que possamos alcançar o pleno desenvolvimento, e os nossos representantes estão lá, recebendo um salário alto para que na maioria das vezes, defendam seus próprios interesses, e nos mostrando um trabalho que em salvas exceções, não nos beneficiam como deveriam. E quando se trata de aumentar os seus salários- sim, alguns parlamentares usufruem desse poder. A maioria está de acordo, e a votação não encontra nenhum obstáculo, como já aconteceu algumas vezes.

Tanta desigualdade, tantos abismos políticos para colocarmos um fim, tanta corrupção, e alguns nobres estão preocupados com seu discurso do dia. A burocracia impera quando o projeto é de iniciativa popular, mas quando se chegou lá, como foi o caso do projeto “ficha limpa”- algo que realmente nos interessa, virou em pizza. Parabéns Brasil! Tu és o país das leis e do pouco resultado. O país onde existem mais legisladores, do que pessoas que realmente fazem a diferença.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Seleção Brasileira e o Estrelismo


Há muito tempo o futebol brasileiro deixou de ser uma força da nossa pátria diante de confrontos no mundo do futebol, para se tornar uma fábrica da qual alguns segmentos da mídia, e até críticos de futebol elegem as suas “estrelas”. Constantemente, a cara de algum dos nossos jogadores estampam capas de revistas, outdoors, marca de inúmeros produtos, que envolvem contratos milionários, somente para venderem a sua imagem. Dentro do campo, e também fora deles, muitas vezes suas atitudes deixam a desejar. A sede do bom futebol é tanta, que constantemente muitas fórmulas são dadas na esperança de dias melhores ao nosso futebol. Diante dos últimos “vexames”, resolvi comentar o que estou observando.

Um dos grandes exemplos de como o estrelismo domina, e a constante busca de receitas para o bom futebol predomina aconteceu nas últimas Copas, onde muitas vezes os técnicos daquela ocasião tentaram acertar seu time impondo fórmulas questionáveis, transformando milhões de brasileiros em técnicos também. Sinto falta da garra da seleção de 2002, que chegou desacreditada no Mundial Coréia/Japão, e saiu de lá com mais uma estrelinha. Em 2006, o técnico tentou usar a mesma fórmula da vitoriosa seleção, esquecendo que já tinha passado quatro anos. Cafu em uma entrevista na chegada ao aeroporto naquela Copa nos deu uma idéia de como estava a nossa seleção. Ele bateu diversas vezes no peito afirmando que o Brasil era o melhor do mundo. Ronaldinho Gaúcho fazia graça diante das câmeras, dando suas famosas embaixadinhas, e as televisões do mundo todo, o tratando como o “deus do futebol”. Jogando de salto alto como estavam o resultado não poderia ter sido diferente.

Em 2010, novamente, a seleção brasileira dessa vez nas mãos do Dunga, tentou usar outra fórmula imposta, a de que o amor a camisa deveria prevalecer. Convocado os nomes, não sobraram críticas que deveriam estar lá as “estrelas” Ganso e Neymar. A seleção até que estava indo bem, mas tropeçou diante da Holanda, o que obrigou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) atender aos pedidos de colocar os tão ansiados jogadores, esperando o futebol do jeitinho brasileiro, dando show. O resultado foi acompanhado nos desastrosos jogos da Copa América. E o que mais me envergonha, é saber que na lista de tantos e tantos brasileiros, que se consideravam técnicos, eram justamente os nomes de Pato, Ganso, Neymar e Robinho que mais apareciam.

O estrelismo tomou conta do nosso futebol. Não digo por todos, mas alguns jogadores parecem se importar mais se estão aparecendo no telão, se seu cabelo será o mais bonito, do que jogar o nosso futebol, aquele velho futebol que estávamos acostumados. E para quem se esqueceu do que estou falando, havia uma época da qual fiz parte, nos tempos áureos dos anos 90, que podíamos bater no peito e nos considerarmos brasileiros da “pátria das chuteiras”. Onde uma final de Copa do Mundo, era como se estivéssemos em uma grande batalha, a emoção predominava, e os gritos de “eu sou brasileiro com muito orgulho, e com muito amor”, fazia sentido, pois sentíamos a garra dos nossos jogadores uniformizados com a camisa amarelinha.

E hoje? Hoje já não vejo mais isso, não vejo sentido nos jogos. Falta vontade, falta amor, dando a impressão que o nosso futebol morreu. E o que fica são Patos, Neymars e companhia o tempo todo na mídia, parecendo que estão tentando impor aos brasileiros um craque que ele deve amar, escondendo que muitas vezes estamos órfãos de grandes jogadores como o nosso eternizado Pelé, Rivelino e tantos outros. Entram em campo como grandes ídolos, mais uma vez de salto alto. Os salários então nem se fala, são coisas exorbitantes, totalmente fora da realidade de um trabalhador brasileiro comum. Ronaldinho Gaúcho somente para “desfilar” no Flamengo ganha R$ 700 mil por mês, fora os milhões em contratos publicitários. O “voa canarinho” para mim já virou uma nostálgica lenda, pois um dia eu apertava a bandeira no meu peito, para que o verde e o amarelo acompanhassem as batidas do meu coração, o “Vai que é tua Taffarel” tinha a força de me fazer gritar junto. Chega de estrelismo, de individualismo. Chega de querer estabelecer regras, receitas, fórmulas e tantas outras coisas. Chega de tratar os jogadores como verdadeiros deuses. Eu quero sentir novamente a emoção que era ver a seleção jogar. Se quisermos realmente acertar, a fórmula nunca mudou, ela sempre foi à mesma: é raça, talento, e amor a camisa.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pare o Mundo, eu quero descer!


“Pare o Mundo, eu quero descer!” , É um jeito cômico de dizer que não agüentamos mais as barbaridades da qual estamos cercados. Sobre a regulamentação da maconha, só tenho uma coisa a dizer: Temos outros problemas graves que é a falta de educação, segurança, e agora as pessoas que morrem de hipotermia nas ruas com o frio, não faz sentido lutar por uma causa que a meu ver, não é nenhum pouco nobre. Prefiro o pensamento que ouvi de uma mãe sobre a maconha: Sou contra, pois sou mãe, e já vi muitas mães sofrendo vendo seus filhos se destruírem nas drogas. Sobre o argumento que o álcool e o cigarro são permitidos, digo que conheço muitas pessoas que dariam tudo para largar o vício, e outras tantas destruindo lares, com a bebida alcoólica.

Pare o Mundo, eu quero descer! 2

Esses dias ouvi falar da “Marcha das Vadias”, e outras tantas marchas que acontecem o tempo todo, que levam milhares de pessoas as ruas para lutarem por seus direitos, direitos esses até muitas vezes reprováveis. Agora basta pintar a cara, segurar uma bandeirinha e pronto! Já está lutando por suas causas, sendo livre para pensar o que quiser. Primeiramente, o nome “vadias” com o lema:“ Não sou puta,não sou santa, sou livre”, soa como algo muito vulgar. O fato é que muitas pessoas esquecem que vivemos em uma sociedade com regras a serem seguidas, ou seja, não só temos direitos, como também temos nossos deveres. Podem lutar, podem seguir pelas ruas com suas marchinhas, mas o que muda realmente são as nossas atitudes. Jamais vi algum assaltante sensibilizado com velas acesas clamando pela paz, mas vi sim a violência sendo combatida com programas sociais. É esse o caminho, quando soubermos nos respeitar, respeitar as nossas diferenças, e cumprirmos com o nosso papel.

Pare o Mundo, eu quero descer! 3

A luta da causa homossexual está longe do fim. O Deputado Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enviou à Câmara dos Deputados um Projeto de Lei para instituir no Brasil o Dia do Orgulho Heterossexual. A data seria comemorada no terceiro domingo de dezembro, já que temos tantas mobilizações sobre as causas gays, e o Dia Internacional do Orgulho Gay. O tema é muito delicado, e gera muita polêmica, principalmente no aspecto religioso. Ele é constantemente retratado em reportagens, e até em folhetins de novelas. Mas para o nosso país, não seria muito mais eficiente criar o “Dia do Orgulho de pessoas honestas?”, “Dia da justiça?”, “Dia da Igualdade Social?”, “Dia do orgulho das pessoas de bom caráter?”, “Dia do orgulho dos não corruptos?”. Que tal?

Pare o Mundo, eu quero descer! 4

O Brasil é o único país no mundo que tem uma lei, para proteger o indivíduo que já foi julgado da lei. Quem nunca ouviu a frase “cabe recurso no STJ?". E por falar no Supremo Tribunal de Justiça, não é ele o grande provedor das injustiças? Dos 130 processos distribuídos no STF nos últimos 19 anos, apenas seis foram julgados e absolvidos. Outros 46 foram remetidos à instância inferior, 13 prescreveram e 52 continuam em tramitação. No STJ, dos 483 processos recebidos de 1989 até junho de 2007, 11 foram absolvidos, cinco foram condenados e 71 prescreveram. Foram remetidas à instância inferior 126 ações, e ao STF, 10 processos. Ainda há 81 ações em tramitação. Sem falar das brincadeiras do prende e solta, ocorridas com o ex-jogador de futebol Edmundo, e outras barbaridades onde o STJ se mostra cada vez mais na contramão do Brasil.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Educação


Acompanhando o JN no Ar, apresentado todas as noites no Jornal Nacional, estamos vendo pela poltrona de nossas casas a realidade de um país onde a educação encontra abismos tão grandes, que em apenas uma cidade a rede pública de ensino se depara com o melhor rendimento e infraestrutura, e outra escola, sem o menor rendimento, onde até as salas de aula parecem acompanhar o péssimo desempenho, de tão mal cuidadas. Há muitas escolas sem reforma, de anos sem investimento, os computadores chegam, mas são largados de lado, sem nenhuma utilidade. Laboratórios e bibliotecas sem utilização, tudo na maior improvisação. Mas alguns governos estão lá presentes, dando uniformes e materiais didáticos e fazendo o maior alarde e propaganda. Há quem eu culpo? Posso fazer até uma lista enorme, e sei que o desafio é imenso, mas não impossível. O principal é que está faltando vida nas escolas, e maior participação dos pais desses alunos. Já tive a oportunidade de visitar algumas escolas públicas, e observei que as aulas demoram muito tempo para começar, pois o professor além de passar a matéria, tem que treinar a sua capacidade de paciência e pedir o mínimo de silêncio. Onde alguns alunos matam aula para fumar e passear. E eu pergunto: Onde estão os pais, que não deram educação ? Onde está a consciência de que estudar abre portas para o futuro?

Universidades

No Brasil, no último governo, foram criadas 14 novas Universidades Federais. Uma preocupação enorme para que todos os estudantes entrem no ensino superior e tenham a oportunidade de ter a sua profissão. A ideia de colocar todos na universidade é até plausível se não fosse apenas um contraponto. Hoje há muitos meios que facilitam a entrada na faculdade, o Sistema de Cotas e até as notas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) , mas foi esquecido que a grande dificuldade do Brasil de hoje, é muitas vezes o ensino básico. Desse modo, não adianta dar a oportunidade se o aluno não estiver preparado,sem ter as soluções nas deficiências do ensino fundamental e médio. Toda a vida escolar e acadêmica deve ter qualidade, e deve ser acompanhada na mesma igualdade e preocupação.

Professores

Quem nunca ouviu a frase de que tudo passa pelo professor?Todas as grandes profissões existem os professores que passam o seu conhecimento em uma sala de aula. Mas o professor não é valorizado. Talvez ganhe alguma homenagem do dia 15 de outubro, e só. Os professores desse país, em sua grande maioria, funcionários de escolas públicas e municipais, passam grande parte do seu tempo brigando com governos e exigindo melhores salários. Professor hoje em dia, é sinônimo de alguém que ganha muito pouco. Muitas vezes, até dribla todos os problemas que tem que enfrentar cotidianamente e dá aula como se fizesse mágica, por amor a própria profissão. Se a peça fundamental que é o professor não tem seu valor, como queremos exigir ensino de qualidade?

Bullying

Uma das grandes discussões dentro das escolas é a prática do bullying. Bullying no dicionário é um termo que vem do inglês, e que tem o significado de alguém que é “valentão”, usado para descrever atos de violência física ou psicológica para intimidar, ofender ou agredir outro indivíduo. Eu a grosso modo, chamaria apenas de falta de educação. Por que no tempo da minha vó, não existia isso? Sabe por quê? Por que antigamente o ensino era mais rígido, tanto na escola, quanto nas próprias famílias. Os valores como a educação, e o respeito, eram levados a ferro e fogo. Hoje, isso já não existe. O respeito que deveria vir de casa, não vem. E a televisão ainda ajuda a disseminar que o importante mesmo é ser magro e fazer sucesso, ajudando a quebrar com qualquer valor que ainda possa existir, sobrando à discriminação para quem não está dentro dos padrões impostos. Por esse motivo, posso repetir: o respeito e a educação começam dentro de casa.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Bolsas do Prouni


Uma reportagem exibida no Fantástico no último domingo dia primeiro de maio, denunciou bolsistas do Prouni que obtém o benefício sem ter o direito, pois as bolsas são destinadas a jovens oriundos de famílias pobres que não tem condições de pagar um curso superior. No ano passado, circulou na internet um texto de autoria de Rodrigo Cavalcanti, mostrando exemplos do cotidiano de como os brasileiros são corruptos. O autor nos coloca que o “jeitinho brasileiro” , não existe. É uma forma de nós mascararmos a nossa falta de competência, e muitas vezes até a malandragem, que consideramos ser algo de menor grau, que não afeta ninguém, e que ladrão é quem está no poder e desvia dinheiro. Alguns dos exemplos citados pelo autor ,estão uma simples corrida de táxi, ou em qualquer outro ambiente, onde nos deparamos com um troco errado, um valor a mais, mas que não devolvemos. O caso das bolsas do Prouni, não foge a regra. Há muitas pessoas carentes no Brasil precisando dessa oportunidade, mas que acabam se deparando com “malandros” que possuem condições de arcar com a mensalidade, mas que dão um jeito de passar a perna no governo e ficar com o benefício. Eles não estão apenas enganando o governo com o crime de estelionato, estão enganando a sociedade e a eles mesmos, que como a maioria dos brasileiros, vivem indignados com escândalos de corrupção, com políticos desonestos, que lamentam não viverem em um país mais justo, mas que infelizmente contribuem para isso. Tanto no caso das bolsas universitárias, como nos gestos simples, existem atos de corrupção, de roubo, de falta de ética. Enquanto não houver consciência de nossos atos, não teremos voz e nem moral para reclamar dos outros. O Brasil acaba virando essa ambiguidade, de julgar os outros, mas não dar o exemplo e agir corretamente, e que passar a perna, e enganar, só é um simples e inocente “jeitinho brasileiro”.

Vitória com gosto amargo

Osama Bin Laden, o líder dos atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001, finalmente foi morto. Depois de quase uma década, os norte-americanos saíram às ruas em comemoração. É um grande engano comemorar uma vitória com um gosto tão amargo. Quantas pessoas não morrem inocentemente nesses atentados, guerras e afins no mundo? Foi o final de Osama Bin Laden, mas não o fim da violência e das guerras sangrentas. Não foi a última morte, e nem nunca será! A morte do líder não apagou os princípios da Al Qaeda, e nem trouxe de volta a vida de todas as pessoas mortas nas torres gêmeas. Não vi nenhum motivo de comemoração, pois o nosso mundo ao invés de resolver seus conflitos pregando a paz e o diálogo, usa da pior arma que pode existir. A violência do pior tipo: a de devolver na mesma moeda. A de responder aos ataques, com mais ataques ainda. Espero que não haja retaliações, senão o mundo será palco de mais tragédias.

Meu computador não matou ninguém!

O caso do massacre em Realengo, nos trouxe uma nova discussão. O quanto à internet pode nos facilitar a vida, e até ensinar um pseudopsicopata a se transformar em um assassino de sangue frio, oferecendo aulas de como atirar. Mas se analisarmos bem, assim como a internet, o jogo de futebol é uma forma de entretenimento, mas muitas vezes é usado como uma forma de violência entre as torcidas. Tudo acaba dependendo de como as pessoas a usam, se for em benefício seu e dos outros, até por que o meu computador nunca saiu atirando em ninguém.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sobre o PT

Em relação à coluna do jornalista Badger Vicari do dia 4 de março sob o título “O PT é um partido diferente dos outros”, gostaria de tecer alguns comentários sobre o PT no âmbito nacional. Já ouvi muitas afirmações de que o PT mudou e que já não é o mesmo, aquele de antigamente, que pregava a justiça, ética e moralidade. Esses dias ouvi do próprio ex- presidente Lula essa afirmação. Em um documentário argentino, ele dizia que o partido tinha mudado sim, por amadurecimento, por entender como funcionava a política nesse país, e concluiu que foi intervenção divina não ganhar as eleições presidenciais de 1989, pois do modo radical que subiriam ao Palácio do Planalto, o governo não duraria 6 meses.
O livro do jornalista Ricardo Kostcho, "Do golpe ao Planalto” , que já foi agraciado com o Prêmio Esso de Jornalismo, nos conta na obra toda a trajetória do PT, desde as Caravanas da Cidadania, nas eleições presidenciais de 89, até os primeiros anos de governo, ele nos dá uma visão do que acontece com a nossa política. Não importa se é PSDB, PMDB ou PV, mas para se ganhar uma eleição, um político e um partido tem que fazer tantas concessões e alianças, que acabam por ficarem amarrados a interesses de terceiros. Ricardo Kostcho, ainda nos conta que entrevistou Fernando Henrique Cardoso no último mandato em que governava o Brasil e lhe fez a seguinte pergunta: Por que não dá um soco nessa mesa e governa do seu jeito? FHC respondeu que do jeito dele, seu governo só duraria no máximo mais 4 dias.
O problema não são os partidos que mudaram e as ideologias que acabaram. O problema está em um sistema político condenado a não dar certo. Um sistema que massifica e nos leva a uma sociedade cada vez mais capitalista e selvagem, onde a competição e as necessidades individuais estão sempre em primeiro plano. Para se ter uma ideia, suponho que nem Madre Tereza de Calcutá mudaria a nossa forma de se governar, se ela fosse candidata, com certeza teria que se aliar a evangélicos, ateus, ou seja, pessoas com outros pensamentos e ideais, e também seria criticada por ter mudado seu pensamento e ficaria atrelada a outros interesses. Lula também foi criticado por dar um exemplo de alianças, quando afirmou que até Jesus Cristo se aliaria a Lúcifer se fosse candidato, o fato é que é uma grande realidade.
Sobre as ideologias, acho que o PT não é o Lula, a Dilma, ou este ou aquele político. Acho que o PT é um ideal, pode parecer até meio utópico, mas como diria o próprio Fernando Henrique Cardoso “É utopia, mas sem ela ninguém muda o mundo”.